Mês: outubro 2013

“Biblioteca básica”

Divido com vocês a dica que uma amiga querida me passou. Trata-se da indicação de livros para serem lidos (ou contados) do Ensino Infantil ao Ensino Médio. Essa lista foi elaborada por 18 educadores para o site “Educar para Crescer”, mantido pela Editora Abril. Vale a pena consultar, apesar dessa editora ser a responsável pela que considero como sendo a pior publicação existente em nosso país, a Veja.

A consulta pode se tornar um tanto demorada, pois é necessário clicar na idade da criança e no mês do ano para ver o título e ler o comentário que o acompanha. Essa separação tão restrita por mês deve ter o intuito de mostrar que é possível a criança ter contato (seja lendo, seja com leitura compartilhada) com todos os livros da lista. Entretanto, é óbvio que trata-se apenas de uma referência.

Lembro que li o divertido “A casa sonolenta”, de Audrey Wood, quando minha filha estava com quatro anos. E ela adorou. No site a indicação é para dois anos. Já “A árvore generosa“, de Shel Silvertein, indicada na faixa dos oito anos, foi lida e possibilitou uma ótima reflexão quando ela estava com cinco. Conto isso só para sugerir que, ao consultar essa lista, você passeie por vários meses e anos para conhecer as obras indicadas e fazer suas escolhas. Sim, suas escolhas e das suas crianças. Porque para além das indicações que consultamos, sejam feitas por “educadores” ou por “leigos”, o importante é termos os nossos próprios critérios de escolha.

Para acessar o site indicado, clique na imagem ou aqui.

Fica a dica!

“Como escolher boa literatura para crianças?”

Em minhas viagens pela internet em busca de mais informações sobre livros infantis, me deparei com o artigo que serviu de título a este post. De autoria da educadora Yolanda Reyes, passa valiosas dicas de como realizar essa escolha. Para ler o artigo, clique aqui. Fica a dica!

Os livros infantis podem ser atrevidos, transgressores, irreverentes, sutis, inteligentes, tristes… Todas essas nuances, que constituem a infinita variedade da experiência de um ser humano, alimentarão o mundo interior das crianças e lhes darão as chaves secretas para descriptografar muito sobre sua própria vida e sobre as emoções, sonhos e pesadelos sobre fantasia e realidade. (Yolanda Reyes)

ASSIM É A VIDA

Capas.

Capas.

Mais uma vez a França se faz presente, desta vez com “Assim é a vida”. Trata-se de uma coleção de livros com histórias em quadrinhos destinada a crianças de 6 a 11 anos. As histórias giram em torno das vivências dos irmãos Lili e Max, suas angústias, suas dificuldades e a forma como se relacionam como os outros.

Lili é malcriada.

Lili é malcriada.

Ao ler as histórias, a Si logo vai fazendo comparações com ela mesma, em determinados momentos afirmando a diferença, em outros identificando semelhanças. E, com isso, reflete sobre seus sentimentos e atitudes. Esse convite à reflexão é reforçado com uma seção em cada livro intitulada “E você?”, em que constam uma série de perguntas como as que seguem.

Se você se acha feio(a)… Você se lembra de pequenas frases que fizeram você perder a confiança em você mesmo(a)?

Se você não gosta de perder… Você tem medo que riam de você se você perder? Fica com inveja dos que ganharam de você?

Se você não é bem-educado(a) (…) é por que você tem medo que pisem em você? As pessoas costumam ser mal-educadas com você?

Para refletir.

Para refletir.

Ao final da seção, é sugerido à criança que busque conversar sobre o tema com seus pais ou amigos. Se acompanhamos a leitura, temos a oportunidade de estabelecer um bom diálogo sobre essas questões.

A Si tem três títulos da coleção: “Lili é malcriada”, “Max não gosta de perder” e “Lili se acha feia”. Demonstra grande interesse por todos!

Fica a dica!

Coleção: Assim é a vida

Autora: Dominique de Saint Marx

Ilustrações: Serge Bloch

Editora: Callis

Ano: 2010

Número de páginas: 32

OS BEIJINHOS DA CECI

Capa.

Capa.

Conhecemos recentemente Ceci e seu amigo Max, criados pelo escritor francês Thierry Lenain e que ganharam forma através dos traços divertidos da ilustradora Delphine Durand. Ceci e Max são colegas de escola e têm por volta de 6-7 anos de idade.

Ceci tem toda aquela espontaneidade de uma “menina moleca” e Max é encantado por ela. Essa “paixão platônica” e seu namoro de brincadeira são típicos da idade. Ao menos se tomarmos como referência a Si e sua turma. Volta e meia sou informada de que fulana e mengano são namorados, que ciclano vai casar quando adulto com sei lá quem e assim vai. Dou muitas risadas, pois são brincadeiras para lá de inocentes.

Neste livro, Ceci pede a Max que fique sentado na escada durante o recreio porque assim saberá onde está caso queira lhe dar um beijo. Max é obediente, mas o recreio chega ao fim e nada de beijos. Essa cena se repete em outros dias até que, com ajuda da professora, Max descobre que não é porque se gosta de alguém que precisamos fazer tudo que essa pessoa quer. Ao ganhar autoconfiança para não se submeter ao capricho de Ceci, Max acaba recebendo o beijo (na bochecha, é claro!) que tanto desejava. Para as crianças fica um belo ensinamento do quanto precisamos ter amor próprio e respeito por nós mesmos para conquistar o respeito dos demais.

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A ordem.

Espera.

A espera.

O diálogo inspirador.

O diálogo inspirador.

Indicado para crianças a partir dos seis anos, idade da minha filha, que adorou o livro!

Fica a dica!

Autor: Thierry Lenain

Ilustrações: Delphine Durand

Editora: Cia. das Letrinhas

Ano: 2010

Número de páginas: 32

FELIZ, FELIZ, FELIZ, FELIZ, MUITO FELIZ!

Sempre que posso leio para minha filha antes de dormir. Outro dia eu estava muito cansada, expliquei que não conseguiria e fui deitar mais cedo. Quando vejo, a pequena entra no meu quarto segurando dois livrinhos. Senta na cama, abre um dos livros e começa a ler em voz alta para mim. Aquela voz doce, aquela leitura de quem faz pouco tempo que navega sozinha por esses mares, aquela busca pela entonação certa. É impossível definir o que senti. Feliz, feliz, feliz, feliz, muito feliz!

BETO E BIA EM: DE MENTIRINHA

Capa.

Capa.

Adorou! Ganhou hoje dos avós, junto com outros livros e um brinquedo. Depois de dar uma rápida olhada em tudo, parou e leu “Beto e Bia em: De mentirinha” de um fôlego só. Não que não tenha gostado do brinquedo, ao contrário, mas é que realmente adora as aventuras dos dois ratinhos. Me chamou a atenção a fluência na leitura. O outro da coleção a Si também lê com facilidade, mas o tem já faz algum tempo.

Bia e Beto.

Bia e Beto.

Assim como no outro livro, que eu já comentei aqui, as belas ilustrações e o enredo simples conquistam a criança. Sem falar no fato de ser em quadrinhos, preferência atual da Si. Nessa história, Beto quer brincar de pirata sozinho e faz de tudo para manter longe Bia, sua irmã menor. Ao final, descobre que brincar com a irmã é mais divertido.

Fica a dica!

Autor e ilustrador: Geoffrey Hayes

Editora: Cia. das Letrinhas

Ano: 2012

Número de páginas: 32

UM OUTRO PAÍS PARA AZZI

Capa.

Capa.

Em função da convivência com os primos mais velhos, a Si passou uma fase em que falava muito em guerra. Isso porque havia jogos de videogame e filmes proibidos a ela (e liberados a eles) com essa temática. Para que compreendesse um pouco de que se trata uma guerra, procurei apresentar o assunto através de filmes e livros que considerei adequados para sua idade. Foi então que encontrei o livro “Um outro país para Azzi”, de Sarah Garland.

Através de uma história em quadrinhos, a autora apresenta a história de Azzi e sua família, refugiados de guerra. A necessidade de deixar para trás o seu lar, o drama da separação de quem fica, a chegada ao novo país com idioma e cultura diferentes são lindamente retratados numa linguagem perfeitamente acessível a crianças a partir dos 5 anos de idade.

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Apesar de abordar uma realidade dramática, a história passa uma mensagem de esperança. No novo país, Azzi faz novas amizades e passa a reconstruir a vida junto a sua família.

A Si gosta muito dessa história. É bom, pois começa a descobrir que muitas crianças vivem realidades bem diferentes da sua e de seus amigos. E conhecer a realidade é o primeiro passo para ao menos tentar transformá-la.

Quem quiser saber mais sobre o livro pode ler a crítica que consta no site Opera Mundi.

Fica a dica!

Autora e ilustradora: Sarah Garland

Editora: Pulo do Gato

Ano: 2012

Número de páginas: 36