Mês: dezembro 2013

NOSSA DICA NO KIDS INDOORS

Acompanho faz algum tempo o site KIDS INDORRS da artista plástica, ilustradora e mãe Gisele Federizzi Barcellos. O site se propõe a dar “dicas para entreter crianças ‘presas’ em casa”.

A Gisele posta muitas, muitas sugestões de livros com atividades a serem feitas com os pequenos. E, o melhor de tudo, atividades já realizada por sua filha Cecília (que é só um ano mais velha que a Si) e seu filho Cássio. São atividades para lá de criativas e o relato de como foi, assim como as fotinhos que ilustram, tornam tudo mais rico. Muitos foram os livros que eu comprei a partir das sugestões da Gisele e de seus kids. E aproveitei outras dicas também.

Para o final do ano, a Gisele fez um convite a suas leitoras e seus leitores: participar de uma coluna especial com as dicas dos livros que as criança mais gostaram de ler em 2013. E a gente não podia ficar fora dessa, não é? Nossa dica está lá e você pode ler clicando aqui. O comentário que fiz sobre esse livro no blog você pode ler aqui. O endereço do KIDS INDOORS é <http://www.kidsindoors.com/>.

Fica a dica do site e o meu muito obrigada à Gisele!

O JARDIM DE UMA CRIANÇA: uma história de esperança

Capa.

Capa.

O título é lindo e a história também. Desses de deixar o coração apertadinho, apertadinho. De precisar segurar as lágrimas que teimarão em brotar e deixarão a vista embaçada. E deixar a voz transparecer toda a emoção.

A história se passa em uma região em guerra, não definida. Pelas ilustrações, tem-se a ideia de algo no oriente médio, mas isso não é mencionado em nenhum momento. Num cenário de total destruição, um menino encontra um pequena plantinha e passa a cuidar dela. Essa planta simboliza a esperança da volta de dias melhores. Em determinado momento os soldados que ficam “do outro lado da cerca” destroem a planta. Mas, assim como a esperança, a planta tem raízes fortes e volta a crescer. Desta vez, brota primeiro do outro lado da cerca e passa a ser cuidada pelas crianças de lá. As ilustrações são de uma delicadeza só. O uso das cores contrapõe a esperança de um mundo com paz à aridez da guerra.

jardim

Destruição.

Comentei em outro post que apresentei livros sobre guerra para a Si depois que ela demonstrou interesse pelos jogos e filmes com essa temática dos primos mais velhos, inacessíveis para ela. Quis mostrar, com algo apropriado para sua idade, que guerra é algo ruim, muito ruim. E funcionou. Este livro, particularmente, a emocionou muito. Gosta de ouvir a história, mas nem sempre. Quando pego esse livro, às vezes ela pede outro e diz que é porque esse “é muito triste”. Sim, sabe que ao contrário de tantas outras histórias com situações tristes, esta realmente acontece.

Também em post anterior, contei que em casa nosso aparelho de televisão é só para assistir DVD. Na casa dos avós, a Si vê só canais infantis. Então, uso os livros para tentar aproximar aos poucos a pequena da realidade bastante dura de nossa sociedade. Infelizmente, não é possível criar nossos filhos em uma redoma de vidro. Por enquanto, os livros e a vida têm sido suficientes para fazer essa aproximação. E esse livro o faz de uma forma muito especial.

Ao final do livro, a planta já cresceu dos dois lados da cerca, cobrindo-a parcialmente. É cuidada pelas crianças de ambos os lados, trazendo um novo colorido à vida de todas. A guerra não acabou, mas as raízes de um mundo melhor são fortes e resistirão, até que “um dia a cerca desaparecerá para sempre”. O título não engana, é de fato uma história de esperança.

Esperança.

Esperança.

Super indico!

Autor e ilustrador: Michael Foreman 

Editora: Alles Trade 

Ano: 2009 

Número de páginas: 32

HISTÓRIAS A QUATRO PATAS

Capa.

Capa.

Quando a Si escolheu esse livro, confesso que tentei demovê-la disso. E teria errado. Foi durante uma feira do livro, eu já estava exausta, nunca tinha ouvido falar no título ou no autor. Ela também não tinha lido, apenas folheado rapidamente, achei que fosse uma escolha “só pela capa”. O livro é bom, mas está longe de se tornar um de meus preferidos. Entretanto, a Si adora. E não é isso que importa?

Mostra como devemos dar oportunidade de escolha na hora de comprar livros. Seja porque contribuiu para a construção do hábito de leitura, seja porque podem nos surpreender. E, principalmente, porque a medida que crescem precisam ter cada vez mais o direito de escolher. Só se aprende a fazer escolhas, escolhendo. Escolhendo e errando, escolhendo e acertando. E enquanto ainda são pequenas podem errar. Nós estamos lá para ajudar. Quando adultas, precisarão fazer escolhas bem mais complicadas, é bom que estejam preparadas para isso.

Mas vamos ao livro. Inicia com a fala de uma coruja professora que se dirige a seus alunos propondo uma atividade diferente. Eles deverão escrever histórias a quatro mãos (em dupla), isto é, a “quatro patas”, já que são todos animaizinhos. Um escreve um trecho, passa para o outro, depois volta ao primeiro e assim vai.

As histórias são realmente engraçadas. Os alunos criam protagonistas parecidos com eles (na história escrita por um cão e um gato, também esses bichos são protagonistas) e sempre buscam colocar o seu personagem em uma situação melhor do que a do outro. Por óbvio, isso acaba gerando conflito. Ao final de cada história, há uma página com um diálogo entre os bichinhos em que estes discutem.

Lebre X Tartaruga

Lebre X Tartaruga

Ao lermos, brincamos de identificar qual parte da história foi escrita por cada bichinho. No livro isto está sinalizado com o desenho das personagem ao lado do trecho, mas como a Si não percebeu (acho que pensou que fosse só “decoração”), a brincadeira funcionou muito bem.

Acho interessante, ao fazer a leitura, propor à criança uma reflexão sobre a realização de atividades em dupla ou grupo, mostrando como essas histórias poderiam ter sido escritas de forma diferente, de forma cooperativa, sem gerar tanto conflito.

Fica a dica!

Autor: Alexandre de Castro Gomes

Ilustrações: Jótah

Editora: FTD

Ano: 2012

Número de páginas: 32

MORANGO SARDENTO

A Si viajou com os avós, o que me dá um final de semana de “folga”. Quem tem criança sabe como são maravilhosas e como adoramos curtir cada momento com elas. Mas também o quanto nos exigem e que uma “folguinha” para nos dedicarmos a nós mesmas(os) é bem vinda. Só que… Quem diz que esta mãe aqui consegue ficar com o coração tranquilo quando sua filha está longe? Não é preocupação, sei que está super bem com os avós. É sentir falta de ouvir sua voz e suas correrias pela casa, de ser chamada a cada instante, de brincar (mesmo daquelas brincadeiras que às vezes dão um sono e não vemos a hora de que acabem), de ler junto, de ver filmes infantis bem abraçadas, de toda a função da hora de dormir, de tudo, até de suas traquinagens.

Mas, enfim, já que tenho essa folga, aproveito para atualizar o blog com mais algumas dicas de leitura. A primeira é “Morango Sardento”, que a Si vai ganhar de presente no Natal. O livro me surpreendeu positivamente. A história consegue tratar de um tema nem sempre fácil, a “autoaceitação”, de uma maneira leve e divertida.

Capa.

Capa.

A protagonista é uma menina ruiva com sardas, muitas sardas. E a menina não gosta delas. Isso porque essas sardas a tornam diferente das pessoas com quem ela convive, gerando desde curiosidade até comentários não muito agradáveis e um apelido, que serve de título do livro. A história é baseada na infância da autora, a atriz norte-americana Julianne Moore.

Sardas!

Sardas!

O foco da história não está na ação dos outros, mas sim na forma como a menina se relaciona com sua aparência física. A mensagem final não é “o mundo passou a achar ela bonita”, nem “ela passou a adorar suas sardas”. Duvido que exista alguém no mundo que ame absolutamente tudo em seu corpo. Principalmente em uma sociedade que vive nos impondo padrões cada vez mais absurdos.

Precisamos mostrar às crianças que existe um padrão estético construído e imposto, que há diferentes tipos de beleza, que elas são lindas e ajudá-las a constituir uma boa autoestima. Mas não só. Também devemos mostrar que aparência está longe, muito longe de ser o mais importante. E é essa a mensagem principal do livro. A protagonista continua preferindo não ter sardas, mas isso deixa de ser uma preocupação quando percebe que há outras coisas muito mais importantes.

As ilustrações são uma delícia. A apresentação cuidadosa do livro, que possui capa dura, o torna um lindo presente.

Super indico!

Autora: Julianne Moore

Ilustrações: Leuyen Pham

Editora: Cosac Naify

Ano: 2010

Número de páginas: 40

 

OS DETETIVES DO PRÉDIO AZUL: primeiros casos

Capa.

Capa.

Também nós demos um livro de presente para a Si pela conclusão da Educação Infantil: “Os detetives do Prédio Azul: primeiros casos”. São histórias de um seriado infantil homônimo que passa em um desses canais a cabo voltados ao público infantil. A Si conhece as personagens, canta as músicas, comenta os episódios e joga os jogos disponíveis na internet. Resumindo, é fã de carteirinha!

O livro, de autoria da criadora da série, é composto de quatro aventuras do trio de detetives mirins Capim, Mila e Tom. As histórias são narradas na primeira pessoa, como se estivessem sendo contadas pelo menino Capim. As três crianças, que moram no mesmo prédio, criaram um clubinho de detetives para resolver mistérios, principalmente os que envolvem a síndica, uma pessoa mandona e que odeia crianças.

Fica a dica!

Autora: Flávia Lins e Silva

Editora: Pequena Zahar

 Ano: 2013

 Número de páginas: 112

ENCERRANDO A EDUCAÇÃO INFANTIL COM POESIA: POESIA FORA DA ESTANTE

Esta semana a Si concluiu a Educação Infantil. Houve uma simples e linda cerimônia de encerramento no pátio da escola. Vestidas com os uniformes, as crianças apresentaram a trajetória da turma ao longo dos quatro anos e suas brincadeiras preferidas, além de músicas escolhidas por elas através de votação. Ao final, cada uma recebeu de presente da escola um livro. Quer presente mais especial? Só mostra o quanto a escola estimula o amor pela leitura.

Capa.

Capa.

A Si ganhou o livro “Poesia fora da estante”, que reúne poemas de autores nacionais selecionados pelo Centro de Pesquisas Literárias da PUC/RS especialmente para o público infantil. Entre os autores estão alguns bem conhecidos, como Carlos Drummond de Andrade, Ferreira Gullar, Mário de Andrade, Mario Quintana, Oswald de Andrade, Paulo Leminski, Sérgio Caparelli e Vinicius de Moraes. Vários não costumam estar em obras destinadas para crianças. Segundo as organizadoras:

Com uma seleção desta natureza pretendemos alargar o elenco de opções de leitura das crianças, dando-lhes acesso a autores e texto novos e já consagrados, que, pelas vias tradicionais, não costumam estar ao dispor desse público. Ao mesmo tempo, dessacralizamos mitos literários, sempre inalcançáveis aos pequenos leitores que, inúmeras vezes, precisam se contentar com uma literatura menor, como se tamanho fosse estigma. É claro que há bons textos poéticos dirigidos ao público infantil, como também mostramos nesta antologia, mas essa oferta pode ser em muito acrescida se contarmos com a produção lírica não rotulada, mas passível de compreensão dos novos receptores.

Não temos lido muitos poemas ultimamente, então esse livro chegou numa ótima hora. Na mesma noite da cerimônia, após a festa da turminha, iniciamos a leitura. Comecei pelos que considerei de mais fácil aceitação pela pequena, entre eles alguns já conhecidos, como o “O Relógio”, de Vinicius de Moraes. Caprichei na interpretação e na entonação, para empolgar minha ouvinte. Logo estava lendo alguns dos poemas. Folheava o livro, escolhia e declamava. Sim, declamava! Lia em voz baixa uma parte do poema, abaixava o livro e recitava. Depois, deixou de lado o livro e passou a inventar versinhos. Muito lindo e ver! O poema que ela mais gostou de ler foi “H de Hora”, de Elza Beatriz, poetisa mineira que eu não conhecia:

H de Hora

Há hora pra tudo, dizem,

e tudo tem sua hora

mas ninguém fez no relógio

a hora de não ter hora.

Através da arte muitas vezes revelamos nossos sentimentos. Essa escolha pela pequena diz tudo, é chegado o momento de tirar umas boas férias e dar um descanso ao relógio! Super recomendo esse livro.

Fica a dica!

Autoras: Vera Aguiar (Coord.), Simone Assumpção e Sissa Jacoby.

Ilustrações: Laura Castilhos

Editora: Projeto

Ano: 2007

Número de páginas: 125

GOSTO PELA LEITURA: REFLEXOS NA ESCRITA

Este final de semana recebemos o último “Relatório de Avaliação” da Educação Infantil. E a mãe coruja ficou faceira principalmente com dois trechos:

Suas escritas espontâneas são muito boas, com poucas trocas ortográficas (…) gosta de livros, adora ouvir histórias, ler para ela e para os colegas. Sua leitura é muito boa, clara e ritmada.

A Si escreve bem para sua faixa etária porque lê bastante (sozinha ou acompanhando visualmente quando leio para ela). Lê bastante porque sempre teve livros ao seu alcance e lemos muito para ela. Leituras que não são feitas no modo “automático”, mas sim com entonação, diferentes “vozes” e curtindo muito. Porque para encantar a criança com uma leitura, temos que demonstrar encantamento também!

2013-12-07 14.21.58

Desenho feito pela Si.