Mês: maio 2014

OTOLINA E A GATA AMARELA

Capa.

Capa.

Um primor de livro! Acho que isso define bem essa obra de Chris Riddell; ilustrador, cartunista político e escritor britânico. A história, uma “novela policial”, é contada através textos e ilustrações que se completam. Como toda obra policial, o enredo possui um mistério a ser desvendado não apenas pela personagem principal, mas também por suas/seus leitoras/leitores.

As ilustrações do livro são um espetáculo. Além de lindas, são ricas em detalhes divertidos. Impossível não ficar encantada por elas e gastar (ou aproveitar) um bom tempo observando-as. Além do preto e do branco, a única cor que aparece é o vermelho, sempre em algum detalhe.

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O livro faz parte de uma coleção que traz as aventuras de uma menina, Otolina, e seu grande amigo, Sr. Munroe. O Sr. Munroe é… bem, não é possível saber direito “o que” ele é. Veio de um pântano na Noruega, vive com os pais de Otolina desde antes dela nascer e é a sua companhia quando não estão. Estes viajam pelo mundo atrás de artigos para suas fantásticas coleções, como a de “bules com quatro bicos” e não aparecem na história. Só se fazem presente através dos postais enviados pela mãe de Otolina. Otolina herdou dos pais o gosto pelas coleções, como a de sapatos estranhos. Além disso, gosta de elaborar planos inteligentes para resolver mistérios.

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Minha pequena detetive, que anda encantada por esse mundo, se deliciou com esse livro. Já estou me preparando para comprar os outros dois da coleção: “Otolina na escola” e “Otolina no mar”.

Além das ilustrações maravilhosas, o acabamento da capa fazem deste livro realmente um primor, que enfeita o espírito e a estante!

Super indico!

Autor e ilustrador: Chris Riddell

Editora: Galera Record

Ano: 2009

Número de páginas: 176

 

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FRANNY K. STEIN – CIENTISTA MALUCA

No início do ano passado, a Si começou a falar em ser cientista quando crescer. Na época, resolvi procurar algum livro com personagens cientistas e me deparei com pouca oferta para sua faixa etária – estava com cinco anos – nenhuma com uma cientista menina. Então, acabei comprando um livro da coleção Franny K. Stein, indicada para crianças a partir de oito anos. Foi paixão à primeira leitura!

O almoço está entre nós. Capa.

O almoço está entre nós. Capa.

Eu confesso que tenho lá minhas críticas à coleção, característica da literatura “enlatada”*. Esse é o tipo de livro que facilmente faz sucesso entre a gurizada, é vendido em vários países, não traz nenhuma reflexão mais aprofundada sobre nada . Normalmente vêm dos EUA, são coleções, tratam do cotidiano das crianças e/ou adolescentes daquele país e com isso propagam a cultura do mesmo. Nada contra conhecer a cultura de outros países! Tudo contra “padronizarmos” a cultura do mundo a partir daquela de um só país. Essa “hegemonia” cultural dos EUA, na música, nos modos de vida, no cinema e na literatura me incomoda. Apesar dessa minha visão acerca dessa “literatura enlatada”, ela entrou lá em casa. Mais de uma vez. E levada por mim! Em minha defesa (para mim mesma) tenho alguns argumentos: impossível criar as crianças em uma redoma de vidro; apesar de enlatados esses livros podem ter algumas histórias interessantes; as crianças gostam, o que estimula o hábito da leitura; e em casa sempre oferecemos uma gama bem variada de outros tipos de literatura.

A Franny esquecida pelo tempo. Versão em inglês.

O ataque do cupido de 15 metros. Versão em inglês.

Os livros da coleção Franny K. Stein trazem as aventuras de uma pequena e superinteligente “cientista maluca”. Se essa coleção tem um mérito é justamente esse, o de mostrar uma protagonista menina que foge ao padrão “meigo, delicado e cor de rosa”. O primeiro livro que lemos – “O almoço está entre nós” – traz ainda a mensagem de que não devemos mudar nosso jeito de ser só para agradar aos outros. Além desse, temos “A Franny esquecida pelo tempo” e “O ataque do cupido de 15 metros”. A Si gosta de todos, mas o primeiro é o preferido.

A Franny esquecida pelo tempo.

A Franny esquecida pelo tempo.

Os livros têm por volta de 110-112 páginas cada, mas em função do tipo de fonte (letras grandes e bom espaçamento) e das diversas imagens, a quantidade de texto não é demasiada. É possível ler para crianças da faixa etária da Si (6-7 anos) de uma vez só. Já para leitura autônoma, o melhor que seja por capítulo.

Fica a dica!

Coleção: Franny K. Stein – cientista maluca

Autor: Jim Benton

Editora: Fundamento

Ano: 2011

Número de páginas: por volta de 110-112

*Trata-se de uma apropriação para a literatura da expressão “cultura enlatada”, que é utilizada para fazer referência aos produtos – geralmente de baixa qualidade e “padronizados” – que são importados das “fábricas” de filmes/seriados para preencher a grade horária da televisão. Como exemplo temos a maioria dos filmes exibidos na tradicional “sessão da tarde”.

 

O POTE VAZIO

Capa.

Capa.

Um lindo conto sobre honestidade. A história, escrita pela norte-americana Demi, se passa na China antiga. O velho imperador precisa escolher um sucessor. Ele, assim como os demais habitantes do reino, é um grande apreciador das flores, então decide que serão elas que o ajudarão a realizar a escolha. Distribui sementes para todas as crianças do reino e diz que aquela que provar que fez o melhor possível dentro de um ano será sua sucessora. Todas as crianças do reino participam, inclusive Ping, um menino que tudo que planta floresce maravilhosamente. Mas eis que, desta vez, todas as crianças parecem ter conseguido cultivar lindas flores, menos ele. O prazo termina e o pote em que Ping plantou a semente do imperador está vazio. Muito triste, pensa em como irá se apresentar ao imperador.

Uma das ilustrações.

Uma das ilustrações.

Assim como a história, as ilustrações são lindas e delicadas. Reproduzem o estilo das gravuras existentes nos vasos chineses. O texto não é longo, mas as letras são pequenas e de imprensa (com maiúsculas e minúsculas), não sendo ideal para quem lê há pouco tempo. O que não é um problema, já que trata-se do tipo de livro que vale muito a pena ler para as crianças, desde as mais pequenas até as maiorzinhas. Afinal, não é porque já dominam a leitura que deixam de gostar que lhe contemos histórias! Aqui em casa é um “ritual” que nós adoramos!

Super indico!

Autora e ilustradora: Demi

Editora: Martins Fontes

Ano: 2007

Número de páginas: 36

 

O TÚNEL DE LETRAS E O REINO DE PEDRA

Todos os anos, a escola da Si tem como um de seus temas de estudo a obra de um escritor. Desde a educação infantil até o quinto ano, que é o último oferecido por essa instituição, todos estudam o mesmo autor. É um projeto muito bom, que culmina com a visita do escritor à escola, momento em que os alunos podem interagir com ele e fazer perguntas, e sua participação na feira do livro. O autor deste ano é o gaúcho Ernani Ssó e é dele o segundo título de leitura obrigatória da Si: “O túnel de letras e o reino de pedra”.

Capa.

Capa.

O livro traz uma história de contos de fadas, mesmo sem ter fadas. Conta a aventura vivida por três irmãos após se perderem em uma floresta e encontrarem dois homens com um grande livro. Esses dois homens, que parecem irmãos, afirmam que o livro é mágico e que com as letras dele é possível fazer uma passagem para um reino chamado Grimmlândia. Apesar de conhecer vários dos contos escritos por eles, a Si ainda não conhecia os Irmãos Grimm. Como o autor faz uma homenagem a eles, mesmo sem mencioná-los explicitamente, foi uma oportunidade para apresentá-los.

Homenagem aos Irmãos Grimm.

Homenagem aos Irmãos Grimm.

As página se alternam entre aquelas que possuem imagem e as que são apenas texto. A extensão do texto e o fato de não ser em letra “bastão” fazem com que não seja adequado para a leitura autônoma por crianças que estão se alfabetizando. Mas para aquelas que já aprenderam a ler, mesmo sem ter ainda um “fôlego” maior de leitura, não apresenta maiores dificuldades. A fonte, por seu tipo e tamanho, e a linguagem utilizadas tornam a leitura bastante agradável.

A Si leu o livro hoje, de uma só vez. Gostou muito da história e a resumiu assim:

Era uma vez três irmãos que saíram numa aventura e se perderam numa floresta. Um se chamava Pedro, o outro, José, e o outro, João Bobo. Tinha um mago que petrificou todo um reino. João Bobo venceu o mago. Os irmãos dele só pensavam em dinheiro. Aí ele [João Bobo] conseguiu se casar com a filha do rei.

Fica a dica!

Autor: Ernani Ssó

Ilustrador: Eloar Guazzelli Filho

Editora: Scipione

Ano: 2013

Número de páginas: 23

 

PARA ONDE PULOU A PULGA

A primeira leitura obrigatória da Si para a escola este ano, o primeiro do Ensino Fundamental, foi “Para onde pulou a pulga”. Para essa primeira leitura, cada família adquiriu um livro diferente que foi lido em casa e agora ficará por um tempo na escola, até que todas as crianças tenham lido todos. Achei essa proposta bem interessante, principalmente por serem livros pequenos, que não demandam maior tempo de leitura e aprofundamento.

Capa.

Capa.

Esse é um livro fofo, com pouquíssimo texto por página e uma história curta. Ideal para ser lido a crianças menorzinhas ou junto com aquelas que estão começando a ler. O livro integra a coleção “Tirando de letra” da editora Manati, que inclui ainda os títulos “Na venda de Vera” e “O time do tico-tico”. Todos os livros buscam enfatizar uma letra do alfabeto, com rimas e uma leitura ritmada.

Para a Si foi uma leitura fácil, mas não destituída de interesse. A história leve e as ilustrações divertidas tiveram seu encanto também para ela. Como atividade de casa, teve que fazer um pequeno cartaz de “propaganda” do livro com uma frase de recomendação. Eis o que a Si escreveu:

UMA PULGA SAPECA QUE GOSTA DE FUGIR E PULAR. VOCÊS VÃO GOSTAR.

Fica a dica!

Autora: Hebe Coimbra

Ilustradora: Graça Lima

Editora: Manati

Ano: 2008

Número de páginas: 20