Mês: julho 2014

CHEGA DE ROSA!

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Atualmente, a maioria das meninas não vive sem a cor rosa e o mundo encantado das princesas. Nem sempre foi assim. Quando eu era criança, a variedade de roupas infantis era bem menor. Em compensação, não havia a ditadura do rosa para meninas. Hoje, encontra-se uma variedade enorme de modelos, mas a esmagadora maioria das roupas infantis femininas são na cor rosa! E essa “ditadura” cor de rosa alcançou também os brinquedos. A Lego, por exemplo, passou a produzir peças cor de rosa. Que bom, poderíamos dizer. Afinal, por que excluir essa cor (que eu acho bonita) da gama oferecida pelo brinquedo? O detalhe está em que não foram incluídas peças rosas nos conjuntos Lego, mas criada uma nova linha, em que predomina essa cor, destinada ao público feminino. Isto é: menina deve brincar quase exclusivamente com rosa e aos meninos essa cor é proibida. Este é apenas UM dos muitos casos que tenho observado desde que me tornei mãe.

Há também o mundo das princesas, que saiu dos contos de fadas e tomou uma dimensão assustadora. Não vou discorrer sobre o quão nocivo esse “mundo das princesas” pode ser para as meninas, especialmente àquelas que são estimuladas a sonhar em se tornar uma delas. Mas indico uma reportagem da Carta Capital e outra da Revista Crescer que abordam pesquisa realizada pela antropóloga Michele Escoura, da USP, sobre como esse “mundo das princesas” influencia as crianças. E uma nota da GNT sobre o livro “Princess Recovery: A How-To Guide to Raising Strong, Empowered Girls Who Can Create Their Own Happily Ever Afters”, da psicóloga Jannifer L. Hardstein.

Aqui em casa, as princesas nunca fizeram muito sucesso. Já o cor de rosa invadiu o quarto e as vestimentas da Si quando ela era bebê. Uma porque EU gosto, outra porque era difícil achar roupa que não fosse rosa. Mas a Si cresceu, suas preferências foram se desenvolvendo e o rosa não é uma delas. Por isso, quando vi na internet o livro de que trato neste post, logo encomendei! E não me arrependi!

“Chega de Rosa” é um livro de origem francesa, escrito por Nathalie Hense e com maravilhosas ilustrações de Ilya Green. No que tange as questões de gênero e ao debate sobre uma educação menos sexista, a França acaba sendo uma referência. E esse livro é mais um exemplo disso.

A protagonista é uma menina que não gosta de rosa, nem se identifica com as brincadeiras geralmente classificadas como sendo “de meninas”. Isso lhe assegura o rótulo de “arremedo de menino”, dado pela própria mãe. Ao longo da história, a protagonista se depara com meninos que também não se enquadram no padrão socialmente definido para eles. E percebe que isso não os torna “arremedos de menina”.

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No livro, os adultos fazem o papel cerceador e rotulador das preferências das crianças. Ao final, nossa heroína percebe que seus gostos não são defeito, que não há nada de errado em suas preferências e que ela é sim “uma menina perfeita”, mesmo que não se enquadre nos padrões que a sociedade tenta lhe impor.

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Natlhalie Hense escreveu esse livro para sua filha que, quando tinha 7 anos de idade, perguntou a ela: “Eu não gosto do rosa e nem das bonecas. Eu sou uma menina mesmo assim?” (Tradução feita por mim, a partir do blog Le blog de Lila).

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Trata-se de uma história que deveria ser lida por todas as crianças, com certeza contribuiria para a construção de um mundo com menos preconceitos. E que, sem dúvida, tem tudo para ajudar na autoestima daquelas crianças que sofrem algum tipo de discriminação por não se enquadrarem nos estereótipos existentes.

Super indico!

 

Autora: Nathalie Hense Ilustradora: Ilya Green Editora: SM Ano: 2013 Número de páginas: 36

LEILA MENINA

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Em época de Copa do Mundo, resolvi presentear a Si com um livro que fala de futebol. Nesse caso especificamente, as meninas e o futebol. Ou ainda, as meninas e a luta pelos direitos das mulheres em plena época ditatorial…

Esta obra de Ruth Rocha, com divertidas ilustrações de Suppa, conta a história de uma menina carioca que resolveu contestar padrões sociais no ano de 1968. Um ano marcado pela luta contra o regime ditatorial em nosso país, pelo recrudescimento do mesmo e pela ascensão dos chamados “novos movimentos sociais” na Europa e nos EUA, com repercussões no Brasil. Entre esses “novos” movimentos sociais está o feminista, que já existia muito antes disso, mas que ganha novo fôlego e novas pautas.

A protagonista do livro tem oito anos de idade e é fácil inferir que seu nome foi uma homenagem da autora à atriz Leila Diniz, famosa por romper padrões da época para o comportamento feminino. Por sinal, uma foto dela aparece no fundo da ilustração da capa.

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No livro, Leila e suas amigas gostam de jogar futebol, mas são proibidas de usar o campo da escola em que estudam. Ao observar a luta das primas mais velhas de Leila pelo direito de usarem calças na faculdade, elas se inspiram e organizam um movimento em sua escola. Apesar dos percalços, sua mobilização é bem sucedida e as meninas passam a usar o campo de futebol.

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O livro, que é destinado para crianças a partir de 7 anos, traz uma série de referências históricas muito interessantes. Ao final, há um texto intitulado “Um pouquinho mais de história”, escrito por Anna Flora, que busca situar melhor as crianças naquele período. Uma bela introdução a um período importante da história de nosso país!

Fica a dica!

Autora: Ruth Rocha

Ilustradora: Suppa

Editora: Salamandra

Ano: 2012

Número de páginas: 32

OU ISTO OU AQUILO

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Ainda sobre poemas… “Ou isto ou aquilo” é um clássico de autoria de Cecília Meireles. Publicado inicialmente em 1964, foi reeditado diversas vezes, passou por gerações de crianças e é sucesso até hoje. Faz tempo que eu estava de olho nesse livro, mas como os recursos são limitados… O fato é que, como a Si está estudando poesia na escola, resolvi não mais adiar essa aquisição. A edição atual é muito bonita, tem capa dura e conta com lindas aquarelas de Odilon Moraes.

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Confesso que, apesar de achar vários dos poemas bonitos, essa obra não despertou em mim nenhum encantamento extraordinário. Talvez eu tenha criado expectativas demais, mas percebo que também não chamou muito a atenção da Si. Mesmo assim, é uma bela obra e um clássico, vale a pena conhecer.

Fica a dica!

 

Autora: Cecília Meireles

Ilustrador: Odilon Moraes

Editora: Global

Ano: 2012

Número de páginas: 64

 

 

111 POEMAS PARA CRIANÇAS

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Outro dia, ao chegar em casa, me deparei com a seguinte cena: minha mãe e minha filha, cada uma com um livro em mãos, liam poemas uma para a outra. Não preciso dizer que achei lindo demais!!!

Um dos livros era “Poesia fora da estante”, que a Si ganhou da Escola por ocasião do encerramento da Educação Infantil e que eu comentei neste post. O outro era “111 Poemas para Crianças”, de Sérgio Capparelli. Já faz um tempo que esse livro integra a biblioteca aqui de casa. Trata-se de uma obra com versos divertidos, que encantam a criançada, retirados de livros publicados anteriormente pelo autor.

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Comentei diversas vezes aqui no blog que a Escola que a Si frequenta faz um ótimo trabalho de formação de crianças leitoras. Neste trimestre letivo, o eixo central desse trabalho é a poesia. E um dos livros é justamente esse do Sérgio Capparelli! Ela está adorando e o livro, que tinha andado um pouco esquecido, agora é leitura frequente. É o tipo de livro que vale a pena ter na estante, para buscar sempre que bate aquela vontade de ler/ouvir alguma rima gostosa!

Super indico!

 
Autor: Sérgio Capparelli

Ilustradora: Ana Gruszynski

Editora: L&PM

Ano: 2012

Número de páginas: 136