CHEGA DE ROSA!

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Atualmente, a maioria das meninas não vive sem a cor rosa e o mundo encantado das princesas. Nem sempre foi assim. Quando eu era criança, a variedade de roupas infantis era bem menor. Em compensação, não havia a ditadura do rosa para meninas. Hoje, encontra-se uma variedade enorme de modelos, mas a esmagadora maioria das roupas infantis femininas são na cor rosa! E essa “ditadura” cor de rosa alcançou também os brinquedos. A Lego, por exemplo, passou a produzir peças cor de rosa. Que bom, poderíamos dizer. Afinal, por que excluir essa cor (que eu acho bonita) da gama oferecida pelo brinquedo? O detalhe está em que não foram incluídas peças rosas nos conjuntos Lego, mas criada uma nova linha, em que predomina essa cor, destinada ao público feminino. Isto é: menina deve brincar quase exclusivamente com rosa e aos meninos essa cor é proibida. Este é apenas UM dos muitos casos que tenho observado desde que me tornei mãe.

Há também o mundo das princesas, que saiu dos contos de fadas e tomou uma dimensão assustadora. Não vou discorrer sobre o quão nocivo esse “mundo das princesas” pode ser para as meninas, especialmente àquelas que são estimuladas a sonhar em se tornar uma delas. Mas indico uma reportagem da Carta Capital e outra da Revista Crescer que abordam pesquisa realizada pela antropóloga Michele Escoura, da USP, sobre como esse “mundo das princesas” influencia as crianças. E uma nota da GNT sobre o livro “Princess Recovery: A How-To Guide to Raising Strong, Empowered Girls Who Can Create Their Own Happily Ever Afters”, da psicóloga Jannifer L. Hardstein.

Aqui em casa, as princesas nunca fizeram muito sucesso. Já o cor de rosa invadiu o quarto e as vestimentas da Si quando ela era bebê. Uma porque EU gosto, outra porque era difícil achar roupa que não fosse rosa. Mas a Si cresceu, suas preferências foram se desenvolvendo e o rosa não é uma delas. Por isso, quando vi na internet o livro de que trato neste post, logo encomendei! E não me arrependi!

“Chega de Rosa” é um livro de origem francesa, escrito por Nathalie Hense e com maravilhosas ilustrações de Ilya Green. No que tange as questões de gênero e ao debate sobre uma educação menos sexista, a França acaba sendo uma referência. E esse livro é mais um exemplo disso.

A protagonista é uma menina que não gosta de rosa, nem se identifica com as brincadeiras geralmente classificadas como sendo “de meninas”. Isso lhe assegura o rótulo de “arremedo de menino”, dado pela própria mãe. Ao longo da história, a protagonista se depara com meninos que também não se enquadram no padrão socialmente definido para eles. E percebe que isso não os torna “arremedos de menina”.

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No livro, os adultos fazem o papel cerceador e rotulador das preferências das crianças. Ao final, nossa heroína percebe que seus gostos não são defeito, que não há nada de errado em suas preferências e que ela é sim “uma menina perfeita”, mesmo que não se enquadre nos padrões que a sociedade tenta lhe impor.

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Natlhalie Hense escreveu esse livro para sua filha que, quando tinha 7 anos de idade, perguntou a ela: “Eu não gosto do rosa e nem das bonecas. Eu sou uma menina mesmo assim?” (Tradução feita por mim, a partir do blog Le blog de Lila).

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Trata-se de uma história que deveria ser lida por todas as crianças, com certeza contribuiria para a construção de um mundo com menos preconceitos. E que, sem dúvida, tem tudo para ajudar na autoestima daquelas crianças que sofrem algum tipo de discriminação por não se enquadrarem nos estereótipos existentes.

Super indico!

 

Autora: Nathalie Hense Ilustradora: Ilya Green Editora: SM Ano: 2013 Número de páginas: 36

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