Editora Scipione

A história de Júlia e sua sombra de menino

Você sabe, todo mundo diz que eu pareço mesmo com um menino. As pessoas dizem que as meninas devem fazer o que as meninas fazem, e os meninos devem fazer como os meninos. Não temos o direito de fazer nenhum gesto diferente do que se espera.

Faz “um milhão de anos” que não posto aqui no blog. A vida tem andado complicada, difícil arranjar tempo e disposição para atualizar. Mas esse livro mereceu! julia_sombra Lemos hoje. Lindo demais – história e ilustrações. A pequena Júlia não atende ao “perfil padrão” que se espera de uma menina em nossa sociedade. Diante de suas recusas a se moldar a esse padrão, a mãe e o pai dizem que ela “parece um menino”. De tanto ouvir isso, um dia Júlia acorda e vê que tem uma sombra de menino. Daí em diante, surgem os questionamentos sobre o que é “ser menina” e “ser menino” e se não é possível ser os dois ao mesmo tempo. Assim como no livro “Chega de Rosa”, a protagonista também conhece um menino que sofre preconceito por não se enquadrar nos padrões. Por sinal, a história de um lembra bastante a de outro, mas o “A história de Júlia…” é mais antigo, de 1976, e um pouco mais denso. Percebe-se que o protagonismo da França em termos de literatura infantil que questiona os papéis de gênero não é de hoje. julia_sombra2 Super indico! Autores: Anne Galland e Christian Bruel Ilustradora: Anne Bozellec Editora: Scipione Ano: 2010 Número de páginas: 72

O TÚNEL DE LETRAS E O REINO DE PEDRA

Todos os anos, a escola da Si tem como um de seus temas de estudo a obra de um escritor. Desde a educação infantil até o quinto ano, que é o último oferecido por essa instituição, todos estudam o mesmo autor. É um projeto muito bom, que culmina com a visita do escritor à escola, momento em que os alunos podem interagir com ele e fazer perguntas, e sua participação na feira do livro. O autor deste ano é o gaúcho Ernani Ssó e é dele o segundo título de leitura obrigatória da Si: “O túnel de letras e o reino de pedra”.

Capa.

Capa.

O livro traz uma história de contos de fadas, mesmo sem ter fadas. Conta a aventura vivida por três irmãos após se perderem em uma floresta e encontrarem dois homens com um grande livro. Esses dois homens, que parecem irmãos, afirmam que o livro é mágico e que com as letras dele é possível fazer uma passagem para um reino chamado Grimmlândia. Apesar de conhecer vários dos contos escritos por eles, a Si ainda não conhecia os Irmãos Grimm. Como o autor faz uma homenagem a eles, mesmo sem mencioná-los explicitamente, foi uma oportunidade para apresentá-los.

Homenagem aos Irmãos Grimm.

Homenagem aos Irmãos Grimm.

As página se alternam entre aquelas que possuem imagem e as que são apenas texto. A extensão do texto e o fato de não ser em letra “bastão” fazem com que não seja adequado para a leitura autônoma por crianças que estão se alfabetizando. Mas para aquelas que já aprenderam a ler, mesmo sem ter ainda um “fôlego” maior de leitura, não apresenta maiores dificuldades. A fonte, por seu tipo e tamanho, e a linguagem utilizadas tornam a leitura bastante agradável.

A Si leu o livro hoje, de uma só vez. Gostou muito da história e a resumiu assim:

Era uma vez três irmãos que saíram numa aventura e se perderam numa floresta. Um se chamava Pedro, o outro, José, e o outro, João Bobo. Tinha um mago que petrificou todo um reino. João Bobo venceu o mago. Os irmãos dele só pensavam em dinheiro. Aí ele [João Bobo] conseguiu se casar com a filha do rei.

Fica a dica!

Autor: Ernani Ssó

Ilustrador: Eloar Guazzelli Filho

Editora: Scipione

Ano: 2013

Número de páginas: 23

 

A INFÂNCIA DA BRUXA ONILDA

A Si já tem uma bela biblioteca. São muitos livros, a maioria de literatura, mas há também dicionário, livros de curiosidade e de “enciclopédia”. A medida que cresce, vai ampliando seu acervo e perdendo o interesse por alguns. Daí o que deve ser feito é passar os livros adiante. Isso é o que deve ser feito, mas quem diz que é fácil? Não, o principal obstáculo não tem sido algum tipo de resistência por parte da Si, mas a dificuldade que eu tenho de me desfazer de livros!

Veja bem, a maioria dos livros foram fruto de escolhas feitas não apenas com muito carinho, mas também após pesquisa sobre os mesmos e/ou leitura prévia minha. Há também, e cada vez mais, os livros escolhidos pela pequena. E aqueles que foram presenteados por pessoas queridas.

Livros que, além de seu conteúdo, guardam recordações de belos momentos em suas páginas tão folheadas. Esses dias parei para separar alguns de quando minha filha era bebê para dar ao seu priminho (e meu afilhado!) que está por chegar. A cada livro eu lembrava de suas descobertas. Como gostava de morder, de olhar as gravuras ou fotos, como brincava no banho, como apertava os fofos, sentia texturas, se divertia com sons, virava as páginas e de como seus olhinhos brilhavam nos momentos de leitura. A Si se despediu deles sem maior dificuldade, mas pediu para ficar com alguns. Nada mais justo!

Por tudo isso, eu fiquei realmente honrada quando uma amiga presenteou a Si com um livro que foi dos filhos, hoje já jovens adultos. Está super bem cuidado, com certeza foi guardado com muito carinho desde que perdeu seu posto na lista de interesses. Agora volta a encantar uma criança. Trata-se do livro “A infância da Bruxa Onilda”.

A capa.

A capa.

O livro tem duas aventuras dessa bruxa atrapalhada. A primeira relata seu primeiro dia na escola e a segunda mostra o que acontece quando ela tenta fazer magia no lugar de sua mãe. Há diversas situações engraçadas. A Si dá muitas risadas!

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Na escola.

Aprendiz de bruxa.

Aprendiz de bruxa.

A editora o indica para crianças a partir de 7 anos, mas as um pouco menores também vão gostar.

Fica a dica!

Coleção: Novas histórias da Bruxa Onilda

Autor: Enric Larreula

Ilustrações: Roser Capdevila

Editora: Scipione

Ano: 2002

Número de páginas: 40