FRANNY K. STEIN – CIENTISTA MALUCA

No início do ano passado, a Si começou a falar em ser cientista quando crescer. Na época, resolvi procurar algum livro com personagens cientistas e me deparei com pouca oferta para sua faixa etária – estava com cinco anos – nenhuma com uma cientista menina. Então, acabei comprando um livro da coleção Franny K. Stein, indicada para crianças a partir de oito anos. Foi paixão à primeira leitura!

O almoço está entre nós. Capa.

O almoço está entre nós. Capa.

Eu confesso que tenho lá minhas críticas à coleção, característica da literatura “enlatada”*. Esse é o tipo de livro que facilmente faz sucesso entre a gurizada, é vendido em vários países, não traz nenhuma reflexão mais aprofundada sobre nada . Normalmente vêm dos EUA, são coleções, tratam do cotidiano das crianças e/ou adolescentes daquele país e com isso propagam a cultura do mesmo. Nada contra conhecer a cultura de outros países! Tudo contra “padronizarmos” a cultura do mundo a partir daquela de um só país. Essa “hegemonia” cultural dos EUA, na música, nos modos de vida, no cinema e na literatura me incomoda. Apesar dessa minha visão acerca dessa “literatura enlatada”, ela entrou lá em casa. Mais de uma vez. E levada por mim! Em minha defesa (para mim mesma) tenho alguns argumentos: impossível criar as crianças em uma redoma de vidro; apesar de enlatados esses livros podem ter algumas histórias interessantes; as crianças gostam, o que estimula o hábito da leitura; e em casa sempre oferecemos uma gama bem variada de outros tipos de literatura.

A Franny esquecida pelo tempo. Versão em inglês.

O ataque do cupido de 15 metros. Versão em inglês.

Os livros da coleção Franny K. Stein trazem as aventuras de uma pequena e superinteligente “cientista maluca”. Se essa coleção tem um mérito é justamente esse, o de mostrar uma protagonista menina que foge ao padrão “meigo, delicado e cor de rosa”. O primeiro livro que lemos – “O almoço está entre nós” – traz ainda a mensagem de que não devemos mudar nosso jeito de ser só para agradar aos outros. Além desse, temos “A Franny esquecida pelo tempo” e “O ataque do cupido de 15 metros”. A Si gosta de todos, mas o primeiro é o preferido.

A Franny esquecida pelo tempo.

A Franny esquecida pelo tempo.

Os livros têm por volta de 110-112 páginas cada, mas em função do tipo de fonte (letras grandes e bom espaçamento) e das diversas imagens, a quantidade de texto não é demasiada. É possível ler para crianças da faixa etária da Si (6-7 anos) de uma vez só. Já para leitura autônoma, o melhor que seja por capítulo.

Fica a dica!

Coleção: Franny K. Stein – cientista maluca

Autor: Jim Benton

Editora: Fundamento

Ano: 2011

Número de páginas: por volta de 110-112

*Trata-se de uma apropriação para a literatura da expressão “cultura enlatada”, que é utilizada para fazer referência aos produtos – geralmente de baixa qualidade e “padronizados” – que são importados das “fábricas” de filmes/seriados para preencher a grade horária da televisão. Como exemplo temos a maioria dos filmes exibidos na tradicional “sessão da tarde”.

 

O POTE VAZIO

Capa.

Capa.

Um lindo conto sobre honestidade. A história, escrita pela norte-americana Demi, se passa na China antiga. O velho imperador precisa escolher um sucessor. Ele, assim como os demais habitantes do reino, é um grande apreciador das flores, então decide que serão elas que o ajudarão a realizar a escolha. Distribui sementes para todas as crianças do reino e diz que aquela que provar que fez o melhor possível dentro de um ano será sua sucessora. Todas as crianças do reino participam, inclusive Ping, um menino que tudo que planta floresce maravilhosamente. Mas eis que, desta vez, todas as crianças parecem ter conseguido cultivar lindas flores, menos ele. O prazo termina e o pote em que Ping plantou a semente do imperador está vazio. Muito triste, pensa em como irá se apresentar ao imperador.

Uma das ilustrações.

Uma das ilustrações.

Assim como a história, as ilustrações são lindas e delicadas. Reproduzem o estilo das gravuras existentes nos vasos chineses. O texto não é longo, mas as letras são pequenas e de imprensa (com maiúsculas e minúsculas), não sendo ideal para quem lê há pouco tempo. O que não é um problema, já que trata-se do tipo de livro que vale muito a pena ler para as crianças, desde as mais pequenas até as maiorzinhas. Afinal, não é porque já dominam a leitura que deixam de gostar que lhe contemos histórias! Aqui em casa é um “ritual” que nós adoramos!

Super indico!

Autora e ilustradora: Demi

Editora: Martins Fontes

Ano: 2007

Número de páginas: 36

 

O TÚNEL DE LETRAS E O REINO DE PEDRA

Todos os anos, a escola da Si tem como um de seus temas de estudo a obra de um escritor. Desde a educação infantil até o quinto ano, que é o último oferecido por essa instituição, todos estudam o mesmo autor. É um projeto muito bom, que culmina com a visita do escritor à escola, momento em que os alunos podem interagir com ele e fazer perguntas, e sua participação na feira do livro. O autor deste ano é o gaúcho Ernani Ssó e é dele o segundo título de leitura obrigatória da Si: “O túnel de letras e o reino de pedra”.

Capa.

Capa.

O livro traz uma história de contos de fadas, mesmo sem ter fadas. Conta a aventura vivida por três irmãos após se perderem em uma floresta e encontrarem dois homens com um grande livro. Esses dois homens, que parecem irmãos, afirmam que o livro é mágico e que com as letras dele é possível fazer uma passagem para um reino chamado Grimmlândia. Apesar de conhecer vários dos contos escritos por eles, a Si ainda não conhecia os Irmãos Grimm. Como o autor faz uma homenagem a eles, mesmo sem mencioná-los explicitamente, foi uma oportunidade para apresentá-los.

Homenagem aos Irmãos Grimm.

Homenagem aos Irmãos Grimm.

As página se alternam entre aquelas que possuem imagem e as que são apenas texto. A extensão do texto e o fato de não ser em letra “bastão” fazem com que não seja adequado para a leitura autônoma por crianças que estão se alfabetizando. Mas para aquelas que já aprenderam a ler, mesmo sem ter ainda um “fôlego” maior de leitura, não apresenta maiores dificuldades. A fonte, por seu tipo e tamanho, e a linguagem utilizadas tornam a leitura bastante agradável.

A Si leu o livro hoje, de uma só vez. Gostou muito da história e a resumiu assim:

Era uma vez três irmãos que saíram numa aventura e se perderam numa floresta. Um se chamava Pedro, o outro, José, e o outro, João Bobo. Tinha um mago que petrificou todo um reino. João Bobo venceu o mago. Os irmãos dele só pensavam em dinheiro. Aí ele [João Bobo] conseguiu se casar com a filha do rei.

Fica a dica!

Autor: Ernani Ssó

Ilustrador: Eloar Guazzelli Filho

Editora: Scipione

Ano: 2013

Número de páginas: 23

 

PARA ONDE PULOU A PULGA

A primeira leitura obrigatória da Si para a escola este ano, o primeiro do Ensino Fundamental, foi “Para onde pulou a pulga”. Para essa primeira leitura, cada família adquiriu um livro diferente que foi lido em casa e agora ficará por um tempo na escola, até que todas as crianças tenham lido todos. Achei essa proposta bem interessante, principalmente por serem livros pequenos, que não demandam maior tempo de leitura e aprofundamento.

Capa.

Capa.

Esse é um livro fofo, com pouquíssimo texto por página e uma história curta. Ideal para ser lido a crianças menorzinhas ou junto com aquelas que estão começando a ler. O livro integra a coleção “Tirando de letra” da editora Manati, que inclui ainda os títulos “Na venda de Vera” e “O time do tico-tico”. Todos os livros buscam enfatizar uma letra do alfabeto, com rimas e uma leitura ritmada.

Para a Si foi uma leitura fácil, mas não destituída de interesse. A história leve e as ilustrações divertidas tiveram seu encanto também para ela. Como atividade de casa, teve que fazer um pequeno cartaz de “propaganda” do livro com uma frase de recomendação. Eis o que a Si escreveu:

UMA PULGA SAPECA QUE GOSTA DE FUGIR E PULAR. VOCÊS VÃO GOSTAR.

Fica a dica!

Autora: Hebe Coimbra

Ilustradora: Graça Lima

Editora: Manati

Ano: 2008

Número de páginas: 20

 

HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL

Capa.

Capa.

Ontem concluímos a leitura do primeiro livro da saga do menino bruxo. A Si é fascinada por suas aventuras e já assistiu muitas vezes aos filmes. Só não a liberei ainda para ver os três últimos porque os considero muito “pesados” para a sua idade. Dos demais, os três primeiros (mais vistos) os sabe quase “de cor e salteado”. Inclusive reproduz alguns diálogos fielmente, mesmo depois de passar um bom tempo sem ver a cena. Sempre teve memória excepcional para filmes. Era muito divertido ver a reação das pessoas quando aquela coisinha fofa de apenas três anos soltava algo como “Ou pagará com a própria vida”. Tratava-se da reprodução de uma fala da madrasta má da Branca de Neve sendo usada nas ocasiões mais pertinentes, como quando pedia um copo de água. A platéia (adultos presentes) ficava perplexa e a pequena, feliz por ter impressionado!

Voltando ao interesse da Si por Harry Potter, qual não foi a alegria dela ao descobrir exemplares dos livros da saga na biblioteca da unidade em que estuda agora. Logo quis retirar para lermos em casa, mas foi orientada pela escola a não faze-lo. Consideram que o livro não é muito acessível para essa faixa etária. Em reunião com a professora, tive a oportunidade de explicar que tenho o hábito de ler bastante para a Si e que, por mais que sua leitura esteja cada vez melhor, seria eu a ler o livro para ela. Assim sendo, retirada liberada e a pequena pode trazer feliz o livro para casa.

Imagem extraída do blog Um livro, um mundo. Lá você encontra um comentário da história narrada no livro, que acabei não abordando no post. Para acessar, clique aqui.

Imagem extraída do blog “Um livro, um mundo”. Lá você encontra um comentário sobre a história narrada no livro, que acabei não abordando no post. Para acessar, clique aqui.

De fato, não é um livro de fácil leitura para quem está no primeiro ano do ensino fundamental, mesmo que já esteja alfabetizada. Trata-se de um livro denso, com muito texto por página e nenhuma ilustração. Entretanto, a paixão pela história e a memória dos filmes impediram que essa leitura se tornasse enfadonha para a pequena. Acho sempre interessante comparar o livro com o filme. Como a Si tem essa memória privilegiada, isso fica ainda mais fácil. Apesar de essencialmente ser a mesma história e do filme reproduzir certas passagens com uma fidelidade extraordinária, ainda há muitas diferenças entre o livro e o que vemos nas telas. O livro nos permitiu conhecer mais profundamente algumas das personagens, assim como entender melhor algumas partes da história. Fora que nada substituiu o prazer proporcionado pela leitura de um bom livro. Certas passagens e diálogos eram acompanhados de uma breve “interpretação” realizada por minha filha, que mostrava como “enxergava” aquilo que era narrado.

A leitura foi demorada. Quis somente eu ler esse livro para ela, já que achava que mais de um “leitor-contador” prejudicaria a continuidade da história. Isso fez com que algumas vezes a cada semana essa leitura não ocorresse, pois são dias em que chego tarde. Assim foi que essa leitura nos tomou um mês inteiro! Confesso que, apesar de também gostar das histórias criadas pela escritora J. K. Rowling, já não via a hora de concluir. Por mais que a Si continuasse a ler seus gibis e livros menores, estava achando que era tempo demais destinado a apenas uma obra. Mas valeu a pena! Ver que ela conseguiu acompanhar, que lembrava em que momento da história havíamos parado na vez anterior e que, apesar de em algumas passagens mostrar um certo cansaço e desinteresse, logo fazia alguma comentário revelando o quanto de fato estava atenta. Ao encerrarmos hoje, perguntei se gostou, se não achou muito cansativo. E a resposta foi que gostou e que quer retirar o segundo livro! Apesar de ficar feliz ao perceber o quanto gostou da leitura, recomendei que adiasse a do próximo. Expliquei que tem vários outros livros para ler e que pode deixar o próximo do Harry Potter para quando esteja um pouco maior. Quem sabe aí já consegue ler por conta própria? Amo de paixão ler para minha filha, mas por enquanto prefiro livros menores, que, além do mais, possa partilhar a leitura com ela nesse momento tão rico de desenvolvimento e aprimoramento dessa habilidade. Mesmo assim, super indico esse livro, principalmente para adultos/as contadores/as de história muito pacientes e/ou crianças um pouco mais velhas e com “fôlego” de leitura autônoma!

Super indico!

Autora: J. K. Rowling

Editora: Rocco

Ano: 2000

Número de páginas: 224

 

 

 

MATILDA

Conhecemos Matilda, de Roald Dahl (o mesmo autor de A Fantástica Fábrica de Chocolate) através do filme. Eu, já faz tempo. A Si, há uns dois anos. E ambas nos encantamos pelas aventuras dessa pequena notável que tem uma família de amargar.

O filme.

O filme.

Matilda é uma criança com dons especiais, que nasce no seio de uma família completamente dominada pela ignorância, o egoísmo e a mesquinharia. O pai é um vendedor picareta de automóveis, a mãe é uma jogadora de bingo e o irmão é uma criança cruel e idiotizada pela televisão. Matilda aprende a ler sozinha muito cedo, por volta dos três anos. Logo está frequentando a biblioteca pública, já que em casa poucas são as opções de leitura, e lendo livros bastante complexos. São os livros que lhe permitem fugir daquela realidade tão hostil e se tornam sua companhia constante. Tanto o filme, como o livro em que foi baseado percorrem rapidamente os primeiros anos de Matilda e se detêm no momento de seu ingresso na escola, quando passa a conviver com outras pessoas, algumas tão terríveis ou piores do que as de sua família, e outras bondosas e interessantes. Entre estas está sua professora, que também tem uma história de vida sofrida e se tornará sua grande amiga.

Capa do livro.

Capa do livro.

Como em outras histórias de Roald Dahl, há um olhar crítico acerca dos seres humanos, sejam adultos ou crianças. O livro desmancha a ideia de que todas as mães biológicas e todos os pais biológicos possuem um amor incondicional por seus filhos. E mostra que esse amor pode vir de pessoas sem nenhum vínculo sanguíneo, mas que desenvolvem um profundo e sólido vínculo afetivo.

O livro é classificado como “literatura juvenil”. O número de páginas, a quase inexistência de ilustrações e a densidade do texto justificam isso. Entretanto, esse tipo de classificação não deve ser limitadora de nossas escolhas. Por saber do interesse da Si por essa história, por achar que teria fôlego para acompanhar a leitura e maturidade para entendê-la, a presenteei com esse livro no início do ano passado, quando estava com cinco anos e meio. Li para ela durante aquelas férias. Foram vários dias de leitura, mas que contaram com toda a sua atenção. O fato de já conhecer a história a partir do filme ajudou para que não se “perdesse” no meio do caminho. Além disso, gostou de comparar as diferenças entre o livro e o filme.

Super indico!

Autor: Roald Dahl

Ilustrador: Quentin Blake

Editora: WMF Martins Fontes

Ano: 2010

Número de páginas: 264

FIDALGO, FINÓRIO E FIRULA

Um livro pequeno, com uma história leve, texto rimado e ilustrações ricas em cores. Apresenta dois gatos e uma gata que são irmãos e têm características bem diferentes. Apesar de não possuir uma história com um enredo atraente, a divertida caracterização das personagens, as rimas e as ilustrações vão chamar a atenção das crianças.

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Em Porto Alegre, há no momento uma exposição com as ilustrações do livro. Para saber mais, clique aqui.

Fica a dica!

Autora: Letícia Möller

Ilustrador: Yuji Schmidt

Editora: Libretos

Ano: 2013

Número de páginas: 20