deficiência

Educar para o respeito à diversidade

Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar. (Nelson Mandela)

Se queremos um mundo realmente mais “humano”, temos que educar para a diversidade. Ensinar a respeitar cada um/uma no que for igual ou diferente de nós. Ouso discordar de Mandela num ponto. Não acredito que devemos ensinar a amar, mas sim a respeitar. É básico. Eu não preciso amar meu colega, mas devo respeitá-lo. Mais, o fato de não amá-lo não me dá o direito de desrespeitá-lo. E aqui recorro a uma citação de José Saramago, em que afirma que o amor não é suficiente para garantir o respeito.

O amor não resolve nada. O amor é uma coisa pessoal, e alimenta-se do respeito mútuo. Mas isto não transcende o colectivo. Levamos já dois mil anos dizendo-nos isso de amar-nos uns aos outros. E serviu de alguma coisa? Poderíamos mudá-lo por respeitar-nos uns aos outros, para ver se assim tem mais eficácia. Porque o amor não é suficiente. (José Saramago)

Para respeitar o diferente, devo conhecer o diferente. Compreender que existe o diferente e que, assim sendo, também eu sou “o diferente” para o outro. Conhecer a diversidade étnica, estética, sexual, de organização familiar, religiosa, política etc. é o que vai possibilitar às crianças perceberem que elas não são “normais”, nem “anormais”, mas que somos todos/as diferentes.

Partindo dessa concepção é que busquei incluir na biblioteca da Si livros que tratassem da diversidade e do respeito ao diferente. Desde cedo, justamente para que a diversidade fosse para ela o que na realidade é: algo natural. Hoje a Si possui vários, dentre os quais destaco o livro abaixo.

Capara do livro. Imagem da editora.

Capara do livro. Imagem da editora.

Na minha escola todo mundo é igual

Apesar de achar o título ruim – melhor seria “todo mundo é diferente” -, gosto muito do livro. Escrito pela Professora Rossana Ramos, diretora da Escola Viva de Cotia, São Paulo. Essa escola, criada em 1996 tem como um de seus pilares a educação inclusiva. O livro é rimado e apresenta a diversidade de forma positiva para as crianças. Seguem algumas partes do livro que mostram bem sua riqueza.

Super indico!

Autora: Rossana Ramos

Ilustrações: Priscila Sanson

Editora: Cortez

Ano: 2004

Número de páginas: 20

AS CORES NO MUNDO DE LÚCIA

Capa. Imagem da Editora.

Capa. Imagem da Editora.

Um dos livros mais lindos que já li para minha filha. É a história de uma menina que conhece as cores de um jeito quase mágico. É assim que o autor, Jorge Fernando dos Santos, apresenta a protagonista:

Certa vez, conheci uma garota diferente de todas as crianças que havia conhecido. E, justamente por ser diferente, pareceu-me muito especial. Chamava-se Lúcia e se interessava por tudo à sua volta. Alegre e comunicativa, vivia para celebrar a vida como se fosse um presente dos céus.

Assim começa a história.

Assim começa a história.

Ao longo da leitura vamos nos apaixonando por essa linda menina e seu jeito todo especial de perceber o mundo. Lúcia não enxerga, mas isso não a impede de conhecer as cores. Ela utiliza seus outros sentidos para identificá-las. Para Lúcia, o azul tem “cheiro de cloro e o som de água respingando”; o branco é “seco e dobradiço feito papel, ou macio que nem o algodão”; e o negro é “a cor do céu quando anoitece”.

cores_lucia2

O azul.

O branco.

O branco.

Além de ter adorado a maneira como o autor aborda a deficiência, gostei como tratou da questão étnica. Lúcia é negra, a família de Lúcia é negra. Várias pessoas com quem ela se relaciona são negras, desde o médico até o jardineiro. Isto é, não é um livro que fala da “inclusão” do negro em um meio branco. Mostra uma criança vivendo em um mundo multiétnico, como é o nosso.

Etnia.

Etnia.

As ilustrações de Denise Nascimento são realmente belas e complementam muito bem o texto. Super indico!

Autor: Jorge Fernando dos Santos
Ilustrações: Denise Nascimento
Editora: Paulus Editora
Ano: 2010
Número de páginas: 48