Quentin Blake

MATILDA

Conhecemos Matilda, de Roald Dahl (o mesmo autor de A Fantástica Fábrica de Chocolate) através do filme. Eu, já faz tempo. A Si, há uns dois anos. E ambas nos encantamos pelas aventuras dessa pequena notável que tem uma família de amargar.

O filme.

O filme.

Matilda é uma criança com dons especiais, que nasce no seio de uma família completamente dominada pela ignorância, o egoísmo e a mesquinharia. O pai é um vendedor picareta de automóveis, a mãe é uma jogadora de bingo e o irmão é uma criança cruel e idiotizada pela televisão. Matilda aprende a ler sozinha muito cedo, por volta dos três anos. Logo está frequentando a biblioteca pública, já que em casa poucas são as opções de leitura, e lendo livros bastante complexos. São os livros que lhe permitem fugir daquela realidade tão hostil e se tornam sua companhia constante. Tanto o filme, como o livro em que foi baseado percorrem rapidamente os primeiros anos de Matilda e se detêm no momento de seu ingresso na escola, quando passa a conviver com outras pessoas, algumas tão terríveis ou piores do que as de sua família, e outras bondosas e interessantes. Entre estas está sua professora, que também tem uma história de vida sofrida e se tornará sua grande amiga.

Capa do livro.

Capa do livro.

Como em outras histórias de Roald Dahl, há um olhar crítico acerca dos seres humanos, sejam adultos ou crianças. O livro desmancha a ideia de que todas as mães biológicas e todos os pais biológicos possuem um amor incondicional por seus filhos. E mostra que esse amor pode vir de pessoas sem nenhum vínculo sanguíneo, mas que desenvolvem um profundo e sólido vínculo afetivo.

O livro é classificado como “literatura juvenil”. O número de páginas, a quase inexistência de ilustrações e a densidade do texto justificam isso. Entretanto, esse tipo de classificação não deve ser limitadora de nossas escolhas. Por saber do interesse da Si por essa história, por achar que teria fôlego para acompanhar a leitura e maturidade para entendê-la, a presenteei com esse livro no início do ano passado, quando estava com cinco anos e meio. Li para ela durante aquelas férias. Foram vários dias de leitura, mas que contaram com toda a sua atenção. O fato de já conhecer a história a partir do filme ajudou para que não se “perdesse” no meio do caminho. Além disso, gostou de comparar as diferenças entre o livro e o filme.

Super indico!

Autor: Roald Dahl

Ilustrador: Quentin Blake

Editora: WMF Martins Fontes

Ano: 2010

Número de páginas: 264

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A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE

Capa do livro. Foto da própria editora.

Capa do livro. Foto da própria editora.

Inicio o blog comentando um livro que nos encantou: “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, de Roald Dahl, edição “pop-up”. O livro apresenta uma versão resumida da história que já foi levada às telas duas vezes. A Si assistiu a última versão, dirigida por Tim Burton, com Johnny Depp no papel do dono da fábrica. Na web circulam memes com o Willy Wonka da primeira versão, interpretado por Gene Wilder.

Roald Dahl (1913-1990) é autor de outros livros infanto-juvenis, entre eles “Matilda” (que também virou filme) e “O BGA”, além de possuir obras destinadas ao público adulto. As histórias deles, mesmo as dedicadas às crianças, são carregadas de um humor, como direi, “estranho”. Sim, é no mínimo estranho imaginar uma criança mimada sendo jogada no lixo por esquilos e outra, gulosa, se afogar em um rio de chocolate. Fora as peripécias de Matilda e os “castigos” aplicados ao pai, que ficam para um post futuro. Mas são justamente essas “estranhezas” que encantam as crianças.

A criança "estragada".

A criança “estragada”.

Em “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, o dono de uma famosa e misteriosa fábrica de chocolates realiza uma promoção que garante às cinco crianças ganhadoras o direito de visitá-la e, ainda, receber vários prêmios. Para isso, é preciso encontrar o “Cupom Dourado” em uma das barras de chocolate. O grupo de crianças é constituído de personagens estereotipadas: a riquinha mimada, o gordinho guloso, a competitiva, o viciado em televisão e, por fim, o bom menino. O perfil de cada criança determina o seu destino. Assim, as crianças que não são “boazinhas” acabam mal e o “bom menino” recebe o prêmio máximo e ainda pode ajudar a família.

As dobraduras são muito bem feitas.

As dobraduras são muito bem feitas.

Não esperem desse livro (ou de qualquer outro de Roald Dahl) uma linguagem politicamente correta. Principalmente na letra das músicas que fazem parte da história. A título de exemplo reproduzo parte da canção que fala sobre o menino guloso (e gordinho): “Só pensa em comer, o gordo bobão”. Sim, tudo que pode servir de combustível para as crianças gozarem de outras e criarem apelidos. Então, é necessário conversar com a criança que está lendo/ouvindo a história para que reflita sobre isso. Mas nada que torne a obra, ao menos do meu ponto de vista, inadequada para crianças a partir de cinco anos.

Essa edição em pop-up, por ser resumida, é de fácil entendimento pelas crianças pequenas (principalmente se já conhecem a história pelo filme). Por outro lado, ficaram de fora algumas partes interessantes da história. As ilustrações são boas e as dobraduras (os famosos “pop-ups”) muito bem feitas.

Fica a dica!

Os "recortes de jornal" enriquecem a leitura.

Os “recortes de jornal” enriquecem a leitura.

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No livro há um “cupom dourado”.

Título: A Fantástica fábrica de chocolate – Livro Pop-Up

Autor: Roald Dahl

Ilustrador: Quentin Blake

Editora: Martins Editora

Ano: 2011

N.º de páginas: 20